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Miguel Najdorf ? El Viejo ? Life, Games & Stories

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Descrição Geral

Miguel Najdorf: "El Viejo" – Life, Games & Stories - Zenon Franco

 

Escrever sobre Miguel Najdorf é um dos meus maiores prazeres como jornalista e escritor de xadrez. Ter tido o privilégio de conhecê-lo foi algo de que me dei conta desde o início, junto com Sergio Giardelli, que conviveu ainda mais com ele do que eu. Há alguns anos concordamos que ambos poderíamos dizer: “Eu conheci Mozart” — não o Mozart real, é claro, mas referindo-nos a alguém que alcançou o ponto mais alto da disciplina que abraçou. Najdorf o fez com a máxima paixão.

Nunca me senti capaz de chamá-lo de “el Viejo” (literalmente “o Velho”), como todos, inclusive ele mesmo, o chamavam; para mim soava desrespeitoso por minhas raízes guaranis, embora fosse evidente que não havia qualquer intenção de ofensa.

A primeira vez que ouvi falar dele foi pela revista Ajedrez e, depois, por meio das ocasionais anotações de meu mentor Bernardo Wexler, que tinha grande apreço pela força enxadrística de Dom Miguel.

Lembro que, na Olimpíada de Siegen de 1970, em que Najdorf jogou no primeiro tabuleiro e teve de enfrentar novamente os melhores jogadores do mundo, Wexler disse: “Se Najdorf quiser, ninguém pode vencê-lo. Mas ele vai querer ganhar, e então pode perder; mas, se jogar pelo empate, ninguém o derrota”.

Naquela época eu não tinha consciência da força dos mestres. Na primeira vez que fui ao Club Argentino de Ajedrez vi vários mestres jogando partidas rápidas (ou “ping-pong”, como se dizia por lá) e, para mim, todos eram muito bons, de força semelhante. Quando perguntei a Wexler quem era o melhor, ele não hesitou: “Najdorf, Najdorf”.

Em outra ocasião, Wexler comentou uma das características marcantes de Najdorf: sua extrema competitividade. Contou que, quando tinha dezoito anos, certa vez dividiu o primeiro lugar com o próprio Najdorf. Wexler era então apenas um jogador de segunda categoria e estava nas nuvens. Najdorf quis jogar um desempate, o que Wexler recusou, explicando que estava muito emocionado e sem condições de jogar. Mas Najdorf insistiu repetidamente, dizendo até que lhe daria todo o primeiro prêmio se ele aceitasse jogar, etc.

Insistiu tanto que convenceu Wexler a jogar — e Najdorf venceu o desempate. Wexler só conseguiu superar esse episódio muitos anos depois. Sejamos francos: esse aspecto de sua personalidade o tornava impopular, mas era apenas um lado de sua complexidade.

Em seu livro Chess Duels, Seirawan fala com carinho e admiração de Garry Kasparov, explicando que existem “dois Garrys, o Bom e o Mau”: “Se há uma pessoa no mundo inteiro que eu gostaria que representasse o xadrez diante de um patrocinador, é o Bom Garry. Ele é espirituoso, encantador, erudito…”. Já “o Mau Garry pode ser rabugento, zangado e grosseiro, fazendo até o patrocinador mais comprometido guardar o talão de cheques e sair correndo pela porta”.

Essa descrição de Kasparov me lembra um pouco Najdorf. Não exatamente, mas também em Dom Miguel havia duas personalidades. Uma era Najdorf o competidor; como comentou Oscar Panno, “quando competia, os outros não eram rivais ou adversários, eram inimigos, e ele os tratava como tal”.

Por outro lado, em sua personalidade fora do tabuleiro — ou seja, na maior parte do tempo —, Najdorf era agradável, divertido, entusiasmado, interessado em tudo, com qualidades e defeitos como qualquer pessoa, mas, como pude confirmar muitas vezes, no fundo era um homem de bom coração.

Liliana Najdorf, uma de suas filhas e autora do livro Najdorf × Najdorf, descreveu-o assim: “Dizer que ele era maior que a própria vida me parece um eufemismo. Procuro sinônimos que me ajudem a defini-lo e, nessas palavras, eu o encontro: apaixonado, desmedido, ostensivo, gigantesco, extraordinário, arrebatador, maravilhoso. Sábio”.

Igualmente precisa é a imagem que Ricardo Calvo uma vez deu de Dom Miguel na revista espanhola Jaque: “Najdorf não é alguém que passe despercebido… Ele possui uma espécie de força, energia ou vitalidade — chame-se como quiser — que atrai, chama a atenção, complica ou simplifica as coisas (em geral, parece-me que ele complica), e como um turbilhão agita até os recantos mais calmos e estruturados do espírito de qualquer um que, por sorte ou azar, entre em seu campo de atividade… É eternamente fiel à sua própria verdade: aquele entusiasmo vital que parece vir das camadas mais primitivas de seu ser, que o atravessa e, ao passar por ele, desestabiliza quem o acompanha… Ele não é nem bom nem mau, é simplesmente assim…”.

De todo modo, ao escrever este livro lembro-me do que disse Jorge Amado, conforme me contou Jaime Sunye: quando Amado foi criticado por falar bem de um amigo (cujas ideias eram completamente opostas às suas), respondeu algo como: “Eu falo do que há de bom nele; que outros falem do que há de ruim”.

Oscar Panno disse que Najdorf lhe lembrava Dom Quixote, na parte do livro em que diz a Sancho Pança: “Onde eu estiver, ali será a cabeceira da mesa”. O próprio Najdorf comentou em um livro que começara a escrever: “Não se pode vencer sem ser um pouco vaidoso. Portanto, o leitor deve me perdoar se às vezes pareço um pouco egomaníaco”.

E sim, ele era. Podia irritar-se de repente e, com a mesma rapidez, acalmar-se. Costumava se elogiar, podia ser briguento, intrometido, etc. — o que se queira dizer. Mas também era capaz de pedir desculpas e foi o maior divulgador do xadrez na Argentina.

E não apenas em sua coluna no jornal Clarín, como lembra seu amigo Luis Scalise. Em cada cidade do interior da Argentina que visitava, mesmo as menores, se via que não havia clube de xadrez, em seus discursos de despedida nunca deixava de pedir às autoridades: “Senhor Prefeito, por favor, como é que uma cidade como esta não tem um clube de xadrez…?”. Esse era um de seus pedidos constantes.

Superou com êxito os mais terríveis reveses, como poucos conseguem fazer, e, no que se refere à sua natureza intrometida, na grande maioria das vezes era porque queria ajudar — segundo sua própria forma de ver as coisas, é claro.

Tive a grande sorte de conhecê-lo: primeiro através de revistas e livros, depois o vendo jogar e, mais tarde, jogando contra ele e sendo seu parceiro frequente nas maratonas de partidas rápidas, que sempre faziam parte de sua vida.

Como alguém poderia não se lembrar das frases de Najdorf, repetidas inúmeras vezes, mas sempre tão divertidas quanto da primeira vez que ele as dizia: “Eu tinha uma tia muuuito sábia, que costumava dizer: melhor um peão a mais do que um peão a menos”, dizia, rindo. “Existem duas maneiras de ganhar no xadrez: quando você joga bem e o adversário mal, ou quando você joga mal e o adversário joga pior.” “Primeiro a ideia, depois o lance!”, etc., etc.

Resumiremos nada menos que setenta anos da vida enxadrística de Dom Miguel e faremos uma breve retrospectiva da história do xadrez na Argentina, às vezes vista pelos olhos de Dom Miguel, graças a seus próprios escritos. Tudo isso, e suas partidas, serão tratados no livro.

Najdorf foi o mais importante enxadrista argentino e uma pessoa excepcional; sinto-me privilegiado por tê-lo conhecido e por ter compartilhado momentos com ele.

~ Zenón Franco

 

Sobre o autor:

Zenon Franco Ocampos nasceu em Assunção, Paraguai, em 12 de maio de 1956. De lá mudou-se para Buenos Aires, onde viveu até 1990. Desde então reside na Espanha. Zenon é autor de 28 livros de xadrez publicados em seis idiomas. Além de seus livros, atuou como colunista de xadrez nos jornais paraguaios Hoy e ABC Color durante 17 anos. Também escreveu colunas de xadrez para revistas da Argentina, Itália e Espanha.

Zenon é um Grande Mestre muito respeitado e Treinador Sênior da FIDE. Participou de 11 Olimpíadas de Xadrez e foi capitão da equipe do Paraguai na Olimpíada de Moscou 2021. Seus maiores feitos foram a conquista das medalhas de ouro nas Olimpíadas de Lucerna, em 1982, e de Novi Sad, em 1990. Entre seus alunos de maior destaque estão o GM Francisco Vallejo Pons e o MI David Martínez Martín, editor espanhol do Chess24.com.

 

Idioma: inglês
Paginas: 638
Editora: Thinkers Publishing
Ano de publicação: 2021

Ficha técnica
Código 7681
Categoria LIVROS DE XADREZ
Características
  • Idioma: Inglês
Formas de Pagamento
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